domingo, 9 de março de 2008

Tlachtli: esporte e sacrifício humano


Reportagem retirada do Portal Terra.

"Cerca de 50 quilômetros distante da caótica Cidade do México, metrópole com quase 25 milhões de habitantes, está localizado o parque de Teothiuacán. Lá ficam as pirâmides do Sol (63m de altura) e da Lua (47 m). Os monumentos são apenas algumas amostras da imponência Asteca, sanguinário povo pré-colombiano da região onde hoje fica um dos principais países da América Latina.

Os habitantes brigavam entre si e arrancavam os corações dos inimigos como amostra de crueldade antes de decapitá-los. O modo de vida estendia-se ao esporte, o Tlachtli. Espécie de mistura de futebol com basquete, funcionava como tributo aos deuses. Ao capitão do time vencedor cabia a honra de ser sacrificado em homenagem ao sol. Ao perdedor, o mesmo destino. Só que o corpo era oferecido à deusa da morte.

Mais de dois mil anos depois, o cenário é quase uma regressão. Ao fundo, a pirâmide da Lua. Mais abaixo, há uma quadra com cerca de 90 metros quadrados e um aro perpendicular ao piso. No muro, uma pintura que representa os deuses do sol e da morte torna o ambiente ainda mais Asteca. O Tlachtli ainda é praticado.

"Só que agora ninguém e sacrificado. O sacrifício é apenas pela vitória", afirma Roberto Espinoza, 54 anos, técnico da equipe de Teothiuacán. As regras são fáceis. "Você divide dois times de quatro jogadores em cada lado da quadra, como um jogo de futebol. Os atletas só devem usar joelhos, cotovelos e a cintura para tocar a bola. Quando ela é roubada, a equipe pode tentar acertar o aro. Quando isso acontece, é anotado um ponto", afirma o treinador.

Se não há sacrifícios em campo, existem requintes de crueldade em algumas partidas. "Às vezes jogamos com uma bola literalmente de fogo. Mas os jogadores sabem como não se queimar, é muito interessante", acrescenta Espinoza.

Duas equipes mexicanas, inclusive o time da cidade de Teothiuacán, fizeram uma partida de exibição de Thachil na Alemanha, nomeada Pok ta Pok, dias antes da estréia do México contra o Irã na Copa do Mundo de 2006. Espinoza dirigiu os atletas locais. Mas o principal motivo de orgulho dele foi outro.

"Meu filho Dario, 24 anos, é o principal jogador da equipe e estava lá. Foi impressionante vê-lo na terra da Copa do Mundo, praticando um esporte só nosso", completa o treinador. "

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