sábado, 5 de abril de 2008

A imprensa aprende a rir com o Diabo



Trabalho apresentado na aula de História da Comunicação, na última quinta-feira(03/04/08) pelo grupo 6, composto por : Alysson, Andreza, Fábio, Luciêne, Mara Vanessa, Paulo Cézar e Ruan.


A história da imprensa no Brasil só teve início em 1808 com a chegada da família real portuguesa às terras brasileiras. No período colonial, era expressamente proibida qualquer atividade de imprensa, fosse a publicação de jornais, revistas ou panfletos.

Algumas décadas mais tarde, quando a imprensa ainda continuava dando seus primeiros passos, foram feitas algumas tentativas para ampliar a capacidade crítica através do humor, da ironia e da sátira. Tudo isso foi apresentado em forma de caricaturas frágeis e primárias. Alguns exemplos foram dados através de publicações como ‘O Corcundão’ (Recife, 1831); ‘O Martelo’, ‘Segarrega’ (Rio de Janeiro, 1832) e em 1883 ‘O Cabrito’, ‘O Burro Mágico’, ‘Esbarra’ e ‘A Mamorta’. Como na época não se dispunha de muitos recursos para reproduzir litografias e gravuras, essas edições eram deficientes na reprodução da técnica ilustrativa, o que só veio a acontecer depois. Nesse período, as ilustrações estavam tolhidas a rabiscos avulsos, completamente desconectados do esqueleto do jornal e da própria realidade brasileira. As ilustrações possuíam uma carga amadora e, por vezes, uma conotação superficial, limitando a falar de figurinos coloridos (moda), músicas litografadas e até mesmo madeira.

Há rumores de que a primeira caricatura no Brasil date de 1837; ela ilustra um pagamento de propina no Correio Oficial. “O desenho mostra um homem em pé, elegantemente trajado, usando chapéu de penacho. Com a mão direita, toca uma sineta e, com a outra, oferece um saco de dinheiro a um sujeito ajoelhado, em atitude servil. Outros, ao fundo, fogem da cena.” Seu autor é Manuel de Araújo Porto Alegre, que exercia as funções de pintor, escritor, ilustrador e arquiteto, fundando o primeiro jornal de caricaturas em terras tupiniquins, ‘A Lanterna Mágica’, em 1844.

Em 1854, na cidade do Rio de Janeiro, veio à luz a ‘Ilustração Brasileira’, apresentando como novidade uma página inteira de caricaturas. Não obstante, seu período de circulação foi efêmero, vindo a encerrar as atividades no ano seguinte. Em 1855, a publicação ‘O Brasil Ilustrado’ inicou uma apresentação regular de caricaturas, trazendo desenhos humorísticos que retratavam os costumes brasileiros.

Mas o ímpeto e genialidade ganharam vida com Ângelo Agostini, um desenhista italiano que inovou a caricatura e a arte gráfica no país. Sua carreira teve início em 1864, quando fundou ‘O Diabo Coxo’, primeiro jornal ilustrado publicado em São Paulo. Apesar da repercussão obtida, esse periódico foi fechado em 1865. No ano seguinte, Agostini lançou ‘O Cabrião’, que depois de ter a sede depredada, veio a falir em 1867.

Em seguida, o artista mudou para o Rio de Janeiro, “onde prosseguiu desenvolvendo intensa atividade em favor da abolição da escravatura, pelo que realizava diversas representações satíricas de D. Pedro II. Aqui, colaborou tanto com desenhos quanto com textos, com as publicações ‘O Mosquito’ e ‘Vida Fluminense’. Nesta última, publicou, em 30 de Janeiro de 1869, ‘Nhô-Quim’, ou ‘Impressões de uma Viagem à Corte’, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo”.

No ano de 1876, o revolucionário cria sua ‘Revista Ilustrada’, um marco editorial no país à época, por ser “uma publicação satírica, política, abolicionista e republicana brasileira”.

Ângelo Agostini se destacou pela destreza, ironia e ideais abolicionistas. Ao retratar em forma de caricaturas a vida, os costumes e as personalidades brasileiras, ele refletiu a enorme crise sanitária que o país vivia, tendo seus principais ambientes urbanos cercados por lixo, odor, vermes, ratos, insetos, pragas e toda espécie de sujeira que um espaço cercado por sujeiras e poluição imperava. Outra grande contribuição foi sua luta ideológica pela liberdade, sendo um anti-escravocrata.

Vale ressaltar, também, o nome do alemão Henrique Fleiuss, que com sua técnica apurada e elegante, fazia das ilustrações verdadeiras obras de arte como instrumento de críticas dos costumes. Em suas obras, Fleiuss confundia o mal com a morte e seus demônios (referindo-se às pragas geradas pela falta de higiene do espaço urbano brasileiro).

Posto isso, será a caricatura tão antiga quanto o ser humano? Hermam Lima concebe Lúcifer como a primeira caricatura existente, pois a idéia que predomina do crambulhão revela traços desfigurados dos anjos, com asas de morcego, rabo, chifres, cabeça de bode, língua de serpente, entre outros ‘adereços refinados’.

A importância da caricatura para a imprensa é justamente o seu caráter informal, circulado de ironias, denúncias escondidas atrás de gracejos e risos. As imagens apresentadas através de desenhos deformados, ridicularizando certos trejeitos e/ou características físicas dos representados, mostra-se mais acessível ao cidadão, que por vezes, não compreende o universo distante e elitizado da palavra escrita expressa nos jornais ou quaisquer outros meios de comunicação.

Assim como representar o imperador D.Pedro II como ‘Imperador Cabeça-de-Caju’, ou o Primeiro Ministro do Império como ‘Redondo Gorducho’, é igualmente atual expressar toda a indignação contra um sistema político/social, por exemplo, ilustrando o atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva, como o ‘Ex-esquerdista com orelhas de burro, nareba e sempre vendado (para os problemas sociais)’. É inegável, portanto, a função da caricatura como instrumento de informação, acusação e expressão da sociedade.

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